domingo, 21 de julho de 2019

Evento na Uerj sobre ciganos

Devido à paralisação nacional no setor de educação, ocorrida no dia 13/8/19, o evento foi transferido para terça-feira, dia 20 de agosto, de 19 às 21 horas. Auditório 71, 7º andar (Uerj).



A INDOCUMENTADA ETNIA CIGANA REGISTRADA PELA ARTE

Palestras

"Presença cigana nas artes" - Cristina da Costa Pereira, professora e escritora
"Contribuição dos ciganos na origem e difusão do flamenco" - Denise Tenório, professora/bailarina e coreógrafa
"Resistência cigana no cinema e Tony Gatlif através da música e da dança" - Charlotte Riom, professora FGV/Rio

Local: Auditório 71, 7º andar, Uerj
Data e hora: 20 de agosto, de 19 às 21 horas.
Entrada franca
Para maiores informações, ligar para o PROPEPER/Uerj: (21) 23340281

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“As mais importantes referências de pesquisa da cultura cigana aqui no Brasil são os historiadores Oliveira China, o João Dornas Filho; e um parente de Vinicius de Moraes, o historiador Melo Moraes Filho, tem vários trabalhos sobre o cancioneiro e a dança cigana. Ultimamente tem mais gente estudando ciganos com muito carinho, muita atenção. No Rio de Janeiro, tem Cristina da Costa Pereira, com vários trabalhos muito bons também. Mesmo assim, os ciganos ainda formam um povo vítima de preconceito.” (Professor Ático Vilas-Boas da Mota, historiador, etnógrafo e ciganólogo. Texto da contracapa de Histórias de flamenco e outras cenas ciganas. Rio, Tinta Negra, 2014)

“É um livro que se lê de um fôlego só devido a duas razões especiais: revelações surpreendentes e um texto prazeroso. Contém várias passagens que nos fascinam pela riqueza de informações sobre a língua, a história, as leis, os laços familiares, a religiosidade e a arte dos ciganos. Quando trata de sua presença nas manifestações culturais, a obra fica mais autoral e torna-se brilhante. Cristina da Costa Pereira destaca, com maestria, traços ciganos em obras de Bergman, Fellini, Carlos Saura, Cacá Diegues, Guimarães Rosa, Cecília Meireles, García Lorca, Gabriel García Márquez, Paco de Lucía, entre outros (...).” (André Valente, professor titular de língua portuguesa do Instituto de Letras da Uerj e escritor. Fragmento de texto da orelha do livro de Os ciganos ainda estão na estrada. Rio de Janeiro, Rocco, 2009)

“Foi precisamente para me dar a ilusão de ‘não existir em vão’ que comecei a publicar meus versos.” (Manuel Bandeira)

Há algum tempo, alguns amigos escritores, poetas têm me convidado para falar especificamente sobre o tema “Presença cigana nas artes”, em seus saraus, encontros literários, seja em livrarias, academias, centros culturais. Inclusive o mestre da língua portuguesa André Valente considera este, meu carro-chefe, dos meus livros sobre a etnia cigana. Devido a inúmeros compromissos profissionais, fui postergando o convite. Mas, quando há cerca de um mês, Telma Gama, psicopedagoga (Uerj) e coordenadora executiva do Proeper (CCS/Uerj) me convidou a participar de mais este encontro cultural na Uerj, a minha paixão por literatura (e outras artes) não me deixou titubear quanto à escolha do tema. Afinal, graduei-me em letras pela UFRJ, fui professora de língua portuguesa e literatura. E tornei-me escritora, porque sei que a literatura ama a humanidade. Também julguei de suma importância o fato de boa parte do público ser composta de alunos da Uerj em sua interdisciplinaridade.
Para enriquecer o encontro artístico-cultural, resolvi convidar a professora, bailarina e coreógrafa de dança flamenca Denise Tenório, criadora do Estúdio Denise Tenório (Santa Teresa), onde já participei de vários eventos, todos de excelente nível, e destaco os dois mais recentes: 30 de junho de 2018 (Todos os caminhos levam aos ciganos – 32 anos do movimento pró-etnia cigana no Brasil) e a 27 de abril de 2019, Viva Lorca!, leitura dramatizada de um texto de minha autoria com a participação de artistas da literatura (prosa e poesia), da música, do teatro, da dança e de circo. Denise é também graduada em direito e em piano clássico técnico pela Escola de Música (UFRJ), com pós-graduação (incompleta) em terapia através do movimento pela Faculdade de Dança Angel Vianna. E a professora Telma, após ter assistido a eventos no Estúdio Denise Tenório, tornou-se admiradora da artista e me pediu, algumas vezes, para convidá-la a atuar na Uerj, pois, além da dança, conheceu-a como palestrante.
Para completar, convidei Charlotte Riom, doutora em musicologia (música e arte) pela Universidade Paris-Sorbonne. Ela é, atualmente, professora adjunta na Fundação Getúlio Vargas-RJ, e responsável pelo programa internacional de formação cultural, “Cultura europeia: herança e modernidade”. Realiza pesquisas sobre a dramaturgia e a interpretação do balé, a correspondência entre as artes, e as relações entre a música e a dança. Conheci Charlotte num evento no Instituto Cervantes, de que participamos.
Quanto a mim, como escritora, tenho 13 livros publicados, sendo 7 referentes aos povos ciganos (ensaios, contos e literatura infantojuvenil). Ainda sobre o referido tema, tenho artigos publicados em revistas do Brasil, da França e da Itália. Fui diretora de produção de eventos em espaços cariocas: CCBB, MIS, Fundação Casa de Rui Barbosa, Espaço Cultural Sérgio Porto etc. Como palestrante atuei, entre outros, no Centro Cultural San Martin (Buenos Aires, Argentina), UFRJ, USP, Uerj (Centro de Ciências Sociais – Proeper), Ufes, Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo, Instituto Cervantes, Academia Carioca de Letras, Estúdio Denise Tenório, Unirio, Cepecro (Volta Redonda ­– RJ), Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, Fundação Nacional do Livro Infantojuvenil – Salão FNLIJ do Livro, abordando os temas: população de rua, arte e espiritualidade, etnia cigana, o bairro de Santa Teresa, as obras de Monteiro Lobato, Guimarães Rosa, Cecília Meireles, García Lorca, Manuel Bandeira, Teresa de Ávila etc. Com o livro A inspiração espiritual na criação artística (1998, 2001, 2003 e 2016 - 4ª edição), fui finalista do Prêmio Jabuti (2000). Em 2006, recebi da União Brasileira de Escritores (UBE-RJ), o prêmio Mérito Cultural e pelo livro Povos de rua (ensaio).
Somos, neste evento, duas mulheres brasileiras (Denise Tenório e eu) e uma francesa (Charlotte Riom), a revelar que, se as ciências humanas, sociais (história, psicologia, sociologia etc.) vêm ignorando os povos ciganos (sobretudo no Brasil) e, só recentemente, e de maneira escassa, apresentam alguma literatura sobre tal tema, mantendo a etnia cigana praticamente indocumentada, por outro lado, a arte (em suas várias modalidades), de inúmeros meridianos e através do tempo, preencheu tal lacuna, registrando com maestria, com sua expressão de significado incomum, ou seja, simbólica, a trajetória deste povo milenar. Deve-se ressaltar que atividades simbólicas como literatura (prosa e poesia), música, cinema, teatro, dança são essenciais à humanidade, como o pão de cada dia, como ressaltava, ao falar de arte, o cigano Oswaldo Macedo, médico, mesmo sendo um homem da ciência.
Após as conferências, aguardamos a participação das pessoas presentes com suas indagações para que possamos refletir, juntos, sobre os temas abordados.
E desejamos incentivar os alunos da Uerj, das mais diferentes disciplinas, a produzirem trabalhos referentes à etnia cigana.

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