terça-feira, 12 de março de 2019

Em memória a Mio Vacite

"A vida é pobre, o tempo é triste, mas a música embala os nossos dias de manhã até de noite."
(Olhinhos de gato – Cecília Meireles).

Em 1986, conheci o rom Mio Vacite. Dois meses depois, a 21/5/1986, o grupo musical Mio e Seus ciganos se apresentava no Paço Imperial no lançamento de Povo cigano, meu livro de estreia. Em 1987, o calon dr. Oswaldo Macedo escolheu Mio para ser presidente do Centro de Estudos Ciganos (RJ), CEC, a primeira organização pró-etnia cigana da América Latina. Em seguida, três anos depois, Mio criou a União Cigana do Brasil. Esta linha do tempo abarca muitos anos, portanto, maiores detalhes neste blog em "Todos os caminhos levam aos ciganos". Cf. também, neste sentido, Histórias de flamenco e outras cenas ciganas e todos os meus demais livros (com fotos, inclusive). Também há o personagem tio Mio em Qualquer chão leva ao céu  a história do menino e do cigano, uma singela homenagem. O violino do músico cigano – e suas belas canções – estiveram em todos meus lançamentos de livros ("muita bak [sorte] você terá se, de um cigano, ouvir o violino tocar", costumam dizer os ciganos). Seus acordes ímpares e somente as boas lembranças dos momentos que partilhamos – em casamentos ciganos, encontros culturais, congressos, debates de questões às vezes complexas – ficarão em camadas oníricas na minha memória. Não há como citar este sem-número de momentos. Destaco os dois mais recentes: 1) Departamento de Biblioteconomia da UNIRIO, a convite do prof. dr. o calon Eduardo Alentejo (2016), fórum Influências da Cultura Cigana na Formação Social Brasileira e a Necessária Inclusão de seus Valores na Educação, Bibliotecas e Centros de Cultura, como palestrantes; 2) Instituto Cervantes, a convite do bibliotecário dr. Carlos Della Paschoa, evento Arte, Resistência e Intolerância (2017), onde ele e seu filho Marcelo se apresentaram com músicas ciganas e judaicas.

À sua extensa família – filhos, netos e bisnetos – meus sentimentos.

Cristina da Costa Pereira.

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