terça-feira, 27 de novembro de 2012

Texto da escritora e jornalista Lurdes Gonçalves, sobre o livro "Poemas com destino certo"

 
                            POEMAS COM DESTINO CERTO
 
                                                     Lurdes Gonçalves
 
             Da tentativa de aproximar-se e de oferecer ao seu semelhante o que de melhor possui como “Criação de um Deus sempiterno”, nasce o Poeta.  Seja manifestando-se pela palavra escrita.  Pelo som, que pacifica ou alegra. Pelas formas ou cores que deslumbram.  Artistas e poetas se confundem e se confraternizam, partilhando sua luz interior com seus irmãos de espécie, que nem sempre os compreendem e aceitam a oferta. A inspiração poético-artística ultrapassa limites de tempo e espaço, trazendo reminiscências do passado e sonhos do futuro para o agora presente, quase sempre insatisfatório ao desejo humano de paz e felicidade.
          Em seu mais recente livro, Poemas com destino certo, Cristina da Costa Pereira, de braços abertos e coração generoso, confirma essa afirmativa.  Como confessa, de acordo com o que conta o festejado poeta Sérgio Bernardo, em seu Prefácio, que a ouviu da própria autora: “Minha intenção ao escrever é abrir corações e não mercados.”
          Empreendemos a viagem no bucólico bondinho do tradicional bairro carioca de Santa Teresa. As ruas estreitas. Os pontos marcantes onde a cultura deixou seu rastro. O rangido das rodas devorando trilhos sem pressa. O riso e o aceno cordiais dos transeuntes. Tudo isso leva o leitor, que acompanha a autora nesse trajeto, a um nostálgico reviver de si mesmo, associando momentos de ingênuo prazer quase infantil ao reencontrar retalhos de um ontem não perdido: Santa Teresa e sua tradição de paz e beleza. O bairro sempre foi famoso por abrigar artistas e intelectuais, fugitivos do barulho e do movimento desordenado de grande capital. Lá embaixo, a paisagem da Cidade Maravilhosa, purificada das nódoas feias da violência e do medo que a transformaram em metrópole do século 21.
          Cristina, porém, não lembra o mundo dos homens apenas colorido e ameno como um conto de fadas. É marcante também a preocupação da nobre poetisa com os isolados em seu ateísmo retrógrado. Sem Deus.  Sem um ideal maior. Acorrentados à arrogância e à irresponsabilidade egoísta de usufruir plenamente dos bens e prazeres imediatos da matéria. Sua sensibilidade humanística relembra tragédias, injustiças sociais e guerras, que geram miséria, órfãos e fome por todo o planeta. Reminiscências de selvageria que nem mesmo as conquistas maravilhosas das ciências e da tecnologia mais avençadas conseguiram ainda apagar da História do Ser Humano.
          Sem pretensão de proselitismo religioso ou partidarismos políticos e sociais, a escritora abre o coração amoroso e solidário para todas as espécies vivas deste nosso belo e maltratado planeta.
          A obra é, na verdade, um grito de alerta, piedade e amor para com os injustiçados, os aprisionados e os que se debatem na solidão de um viver sem sentido.  Tem um destino certo, sim, como assegura a autora em seu título. Mensagem de esperança para todos os que se sentem sós e esquecidos em seus destinos anônimos.

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